Macaúba é Palmeira de
Produção de Biocombustível

Transição energética
com desenvolvimento e riqueza
em completa sustentabilidade

Em 21 de setembro de 2026

Macaibeira, denominada no Brasil macaúba cujo nome científico é acrocomia aculeata, é palmeira parecida com a do butiá (syagrus coronata), e ambas são da família das arecáceas cujos frutos, florescendo em forma de racemo, como cacho de uva, pendem em pedúnculos unidos à haste que cresce da planta. A macaúba pode atingir ca. 15 metros de altura, possui no tronco espinhos longos e perigosos, e dela se pode aproveitar quase tudo, isto é do caule pelos ramos folhados até aos frutos, ainda não a raiz. Vale dizer que, em razão de na modernidade ciência e tecnologia estarem alterando a genética dos seus objetos de pesquisa, pode aparecer de diversos tamanhos. Onde se localiza ela? No Brasil a palmeira é muito comum no Cerrado, partindo de Minas Gerais passando por Goiás e chegando ao Mato Grosso, também no Sul da Bahia e Norte de São Paulo, ao passo que longitudinal, do México até à Argentina. Há um município de 7.481 habitantes, segundo o IBGE, chamado de Macaubal sito no Noroeste do estado de São Paulo, perto da cidade de São José do Rio Preto, e outro maior chamado Macaúbas sito na Bahia. Os municípios devem ter sido denominados com tais topônimos pela ocorrência da quantidade da planta em seus limítrofes geográficos à época.

É uma matéria-prima com qualidades singulares. A própria caraterística como palmeira revela o potencial existente na área cultivada, porque junto ao solo apenas seu caule típico está de tal modo que os agricultores podem vantajosamente plantar outras culturas, como feijão, cacau, mandioca, ao passo que os pecuaristas podem criar o gado circulando livremente nas pastagens existentes ao redor e entre as palmeiras, ainda que devam ter eles precaução com os espinhos em plantas baixas. Chamam isso os especialistas de 'integração lavoura-pecuária' que lhes traz benefícios econômicos expressivos, fazendo o cultivo dela com parceiros estratégicos.
A Embrapa começou a pesquisar sobre a extração do óleo em 2008. De início utilizou, por analogia com o uso de tecnologias de outras oleaginosas a fim de aperfeiçoar o processo de extração, "a associação da tecnologia enzimática à prensagem hidráulica"1. O estudo fora feito à época em parceria com a Escola de Química da UFRJ e a empresa Paradigma financiado pelo FINEP com o propósito da produção de biodiesel. Em 2014 foi nesse contexto publicado um estudo intitulado Maciços naturais de macaúba (Acrocomia aculeata): mapeamento e análise do potencial para produção de biodiesel2.
Tudo indica que o potencial ficou adormecido por longos anos, até que o mundo começou, sentindo cada vez mais as consequências do modelo de desenvolvimento a partir de fontes fósseis para a obtenção de energia, além de haver estudos comprovando cientificamente as mudanças climáticas, bem como constatando uma maior conscientização das nações, por exemplo o Acordo de Paris em 2015, a despeito dos seus interesses e dos negacionistas, começou a impulsionar a transição energética e, consequente, a busca por fontes alternativas renováveis.

Hodiernamente já se pode ler, com inúmeras possibilidades aflorando para substituir a energia oriunda do petróleo e derivados, mais sobre o seu potencial e o atraso pelo tempo perdido com a falta de políticas públicas para meio ambiente e desenvolvimento sustentável com soberania (corrupção há generalizada da politicagem desde o Brasil Império, pairando nesse emeio até sobre a Suprema Corte seus nimbos). Tivesse o país tratado do seu cultivo como, mal ou bem, fez com a cana-de-açúcar, estaria hoje provavelmente autossuficiente bem como exportador de energia limpa por meio de projetos além-mar com tecnologia made in Brazil. E essa responsabilidade de Estado evitaria na política externa o uso de problemas internos de forma maquiavélica, por exemplo o da segurança pública3 frente às organizações criminosas pelo oportunismo político do atual governo estadunidense, do mesmo modo que o desmatamento ilegal de áreas, dentre outras razões, para as últimas tarifas econômicas aplicar contra o Brasil. Sobre esse se refere, embora não direto, às terras degradadas (perda de fertilidade do solo) que segundo o Ministério do Meio Ambiente o país teria atualmente entre 50 a 100 milhões de hectares nos quais se acha sem condições de plantio de culturas o solo. E nesse contexto se torna a macaúba uma planta polivalente, já que pode ser cultivada também em tais terrenos pobres, crescer ainda assim viçosamente.

O Brasil pode avançar na transição das fontes de energia, e se tornar um polo de produção de biocombustível com ela, fabricando os chamados HVO (Hidrotreated Vegetable Oil), que pode ser usado puro em motor a diesel na frota de caminhões, e SAF (Sustainable Aviation Fuel) a partir da transformação do óleo em combustível sustentável de aviação. Essas possibilidades estão atraindo a atenção do exterior e, segundo notícias de jornal, o Mubadala Capital, Fundo Soberano dos Emirados Árabes Unidos, que administra ativos globalmente, já estaria investindo por meio da empresa Acelen Renováveis que por sua vez planeja a pouco e pouco produzir para exportação com investimento de ca. 3 bilhões de dólares e 180 mil hectares cultivados conforme seu projeto de agronegócio sustentável em Mataripe/BA e Montes Claros/MG. Veremos com o tempo se prosperou! Vale lembrar de que, em virtude da grande demanda do mercado por óleo vegetal hoje na cifra de mais ou menos 220 milhões de toneladas por ano, o que segundo projeções deve dobrar, o cultivo da macaúba deve por razões suficientes ser considerado como prioridade político-econômica socioambiental de Estado.

É planta polivalente e com matéria-prima de grande potencial, já que ramos e caule podem ser aproveitados tanto quanto o fruto. Esse é constituído de casca, polpa, endocarpo e amêndoa (semente). A casca pode servir como energia, contudo pela simples queima não é, em tempos de redução de CO2, aconselhável, da polpa se pode extrair o óleo com que se produz o biocombustível tanto o HVO quanto o SAF, do endocarpo, carvão vegetal usado em filtros de água, já da amêndoa, óleo cosmético bem como na culinária para fazer sorvetes, geleias, mingaus, na limpeza para fabricar sabão de coco, e ainda para a produção de óleo de cozinha como o de soja. Dizem que rende de sete a dez vezes mais litros de óleo por hectare plantado do que a soja. E com os ramos folhados se pode linhas de pesca fabricar, já o caule, material para a construção civil.

É verdade que domesticar, como dizem, a macaúba para uma cultura em escala envolve planejamento, organização, pesquisa e desenvolvimento científico-tecnológico aliado a capital volumoso de investimento a longo prazo e também parceiros estratégicos (universidades, agricultura familiar) com que podem alcançar projetos comerciais de larga escala de mercado os resultados expressivos com a planta. Ademais se requer rastreabili-dade da cadeia de processos, partindo da origem da semente, estação de plantio, cuidado com florescimento, modo de colheita, produção do biocombustível e a linha de abastecimento, o que ainda garante com ela o certificado de carbono livre.

E é ela diferente de Aquiles? Se até o herói grego da Ilíada teve seu ponto fraco, a macaúba não é exceção, e faz com que o trabalho a longo prazo seja conditio sine qua non, posto que ela - o único aspecto negativo até ao momento conhecido - floresce, do cultivo até à fase madura de colheita dos frutos, em período de seis a sete anos (em algumas estimativas é menor, noutras, maior). Ciência e tecnologia porém aliadas com sua criança IA podem reduzi-lo para seis meses, já também por meio do cruzamento genético (clonagem) com outras variedades com que se pode alcançar uma germinação célere, mas também mais qualidade genética (seleção regenerada) da polpa para o biocombustível tanto quanto das outras partes e, por muda, maior quantidade de frutos. Feito isso, é esperar pelo realmente difícil: Políticas públicas consequentes, senão o Uncle Sam bate de novo à porta com mais exigências.

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