Data centers:
IA a serviço de quem?
Em 3 de agosto de 2026

Centro de dados são por computadores chama-dos servidores (server) constituídos. O nome já nos indica a priori que prestam serviços de tecnologia de informação a outros chamados clientes, por exemplo o acesso à internete dos computadores pessoais ocorre via de regra por eles. Já não são portanto novidades, pois que fazem parte das atividades cotidianas da sociedade também em escolas, empresas, órgãos, repartições etc há anos cuja diferença básica para os novos é tamanho, potência e finalidade.
Sua necessidade para o mundo moderno é tão notória como a do celular, e são consequência do desenvolvimento científico-tecnológico ocidental que se expandiu por todo o mundo. A discussão sobre eles ficou ora acirrada então por quê? Vale sublinhar que este modelo de desenvolvimento está cada vez mais dinâmico e complexo, fazendo com que novas inven-ções apareçam sem grande espaço de tempo entre elas de tal modo que pioneiras já se tornem cotidianas rapidamente. A discussão sobre eles caiu nos holofotes sobretudo em razão da nova invenção denominada IA: Inteligência Artificial, mesmo que o armazenamento em nuvem (cloud storage) esteja por segurança de dados na moda. Suas caraterísticas porém continuam basicamente as mesmas à diferença do uso deles para a IA.
Quais são os argumentos amiúde apresentados contra os novos centro de dados? Enorme consumo de energia, aumento da sua tarifa, ameaça ao meio ambiente e ecossistemas, e não menor consumo de água que estariam fazendo comunidades repensar sobre os pontos positivos ressaltados pelos apoiadores, ou seja oportunidades de emprego, arrecadação de impostos sobre o empreendimento, desenvolvimento local pela atração de investimentos semelhantes, oportunidades de negócio bem como inovação em área de tecnologia. O Brasil ainda está engatinhando em se tratando da quantidade de instalações de tais centros, comparados com China, Europa e, mormente, com os Estados Unidos.
Os novos construídos ou já em fase de construção ou ainda em planejamento final pelo mundo e nos Estados Unidos focam portanto no treinamento dos bots da inteligência artificial. Essa, tão célere como a robótica, está expandindo-se à sociedade moderna toda por que via de regra recebem incentivos fiscais estaduais também lá, pois essa nova tecnologia virou a pedra de toque do desenvolvimento moderno já visando o porvir decorrente em grande parte dela mesma. Está evidente que farão grande diferença no desenvolvimento e comercialização da robótica, ainda mais àquela relacionada à fabricação de humanoides, hoje em dia de início na indústria despontando, mas em breve também para o serviço doméstico restrito inicialmente, como sucedeu com o uso das novas tecnologias, aos abastados que poderão 'investir' nos afazeres do lar robotizados bem como em ambiente público por Estado e iniciativa privada.

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Essa expansão está ocorrendo também, porque são investimentos considerados pertencentes à infra-estrutura do país que quer ou acompanhar ou não ficar atrasado demais com o desenvolvimento global sobre o setor e as consequentes utilidades vindouras dele decorrentes à sociedade, por exemplo um em que a inteligência artificial já está adiantada e começando a fazer parte da vida cotidiana é o campo da medicina tanto do tratamento quanto da cura bem como da criação de novas especializações no campo da saúde de corpo e mente. Agora o impacto local onde foram construídos está fazendo aflorar a discussão sobretudo nas comunidades diretamente relacionadas e perni-ciosamente afetadas pela implantação. Isso por quê?
As dimensões de tais centros especializados são ou tendem a ser enormes. Isso significa ocupar uma área de terreno e solo muito abrangente quase tanto ou ainda mais espaçosa, como foram as indústrias automobilísticas por exemplo cujo investimento de início fora saudado com pontos positivos parecidos. Os apoiadores desse modelo de progresso são talvez os mais responsáveis pela desconfiança com a nova tecnologia, uma vez que turvam uma avaliação mais realista, à medida que ressaltam por um lado demais os pontos positivos, por outro porém minimizam demais os negativos. Em artigo publicado na The Harvard Gazette, seção Work & Economy, Why are communities pushing back against data centers? (Por que as comunidades estão opondo-se aos centros de dados?) enfoca-se em razão da sua importância para as comunidades e para o progresso em sintonia com a saúde do planeta sob diversos aspectos o tema dos centros de dados. Dois pontos chamam à atenção em debates sobre tais centros: O consumo de eletricidade e água bem como o contrato de negócios envolvendo a implantação.

Um projeto em Ann Arbor, estado de Michigan, ilustra as dimensões destes centros, ou seja deve ocupar uma área de 185 mil metros quadrados e consumir ca. de 1,4 gigawats de energia, o que equivaleria ao consumo de um milhão de residências. Pensando, como ressalta, em larga escala, já se pode ter ideia da expansão da demanda por energia e água. Donde vem a energia que abastece o consumo? Tudo indica que metas climáticas não estão sendo consideradas, de modo que o abastecimento ainda precisará vir da operação de outras fontes, v.gr. de usinas de combustíveis fósseis por mais tempo, minando esforços pela substituição mais rápida por fontes de energia renovável, ou seja a saúde do planeta continua menos importante do que negócios oriundos de tais centros. É relevante saber que em país capitalista per si a população esteja analisando equili-bradamente e discutindo ambos os pontos sobre sua expansão, isto é a quem de fato servirão.
Se esses são para servir à infraestrutura pública, então em toda a parte se deve estar atento aos contratos e às empresas que estão por trás desses investimentos. A obscuridade dos contratos lá a que faz o artigo menção vale em toda democracia, visto que a energia necessária para consumo público é paga pelos contribuintes que precisam saber sobre ele com a devida transparência contratual. A saúde pública é um âmbito em que se pode constatar resultados e benefícios tangíveis de investimentos à sociedade toda. Se porém privados, sabe-se que as empresas investem em tais centros, a fim de que proporcionem pela IA a expansão dos negócios e o retorno de lucros a elas.
Acontece à inteligência artificial concentrar-se em setores dos quais os investimentos, se privados, partiram e para os quais devem 'naturalmente' retornar. Assim, fazendo uma analogia, está sendo pensada e direcionada à maneira do 'capital' que outrora enriqueceu e tende, por natureza, a enriquecer poucos a custa de muitos. O crescente interesse nos centros de dados é então impulsionado pelo crescente sucesso dessa nova tecnologia aflorando de grandes investimentos de certas firmas que, vislumbrando seu potencial como meio para fim, prosperam ainda mais.

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Motivo por que se deve, com o aprendizado da história, atentar já para uma regulamentação de tal modo que a potencialização das suas virtudes possa redundar em pró-gresso a países e ao planeta. Importância e utilidade dos centros de dados não se deve considerar por números de crescimento econô-mico a partir da implementação por que se sabe por experiência que induzem a desequilíbrios sociais, concentrando o poder do capital advindo da capacidade da inteligência artificial nas mãos de poucos. Dados e informações redundantes da sua potência via inteligência artificial podem manter o domínio do conhecimento mais concentrado. Assim é que não se deve reduzir o perigo de razão e finalidade da sua existência apenas àqueles pontos já aventados supra, mas também tratar dos objetivos de atividades potencializadas pela inteligência artificial em conjunto. Muitos argumentam sobre seus aspectos negativos dizendo que somente humanos podem resolver problemas humanos, porque o aprendizado resultante de plataformas da IA são advindos de ajustes e dados estatísticos por que são por assim dizer alimentadas para dar às perguntas respostas 'certas'. Ressalta-se que tais objeções parecem subestimar o poder da tecnologia a longo prazo e com isso as assimetrias resultantes do potencial de chipes eletrônicos cada vez mais avançados proporcionando não só velocidades computacionais impressionantes, mas igualmente a capacidade de desenvolver e avançar a própria IA pelo domínio da inteligência humana. Por que futuro dela com eles estamos pois a aguardar? (Leia sobre isso a postagem no blogue da versão desktop intitulada Roboética.)

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