11.
Que o AI-5 fora um dos dezessete Atos Institucionais promulgados de 1964 à 1969 pelo governo militar, a partir portanto do golpe de Estado perpetrado em 31 de março de 1964 destituindo o então presidente eleito João Goulart, inicialmente como vice. A sucessão constitucional após a renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961, em razão da inexorável oposição das forças armadas a sua posse, aflorando a Campanha da Legalidade apoiada por variegados setores da sociedade, só ocorreu por arranjo político que ocasionou a curta experiência do parlamentarismo no Brasil sucedido de 1961 à 1962, e já em 1963 havia retornado o sistema presidencialista depois do resultado da consulta popular por meio de referendo de 6 de janeiro de 1963. Com os poderes restabelecidos, como chefe de Estado e de governo, o presidente ainda assim não conseguiu superar as crises de muitos e diversos setores da sociedade durante todo o governo entre gregos e troianos, capitalistas e socialistas em infindáveis disputas no Congresso Nacional à sombra das forças armadas. O Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social para o período de 1963-1965, apesar da boa intenção do governo comprovada nele com as reformas institucionais de base (bancária, fiscal, urbana, eleitoral, agrária e educacional), fora um fracasso o qual plano enfraqueceu mais a economia, acarretou inda mais a alta da inflação, provocou a ira das classes média e alta, corroendo salários e gerando por fim o aumento do custo de vida a toda sociedade, porque não atingiu somente a classe trabalhadora, senão também as elites crescendo v.gr. a insatisfação do empresariado e do oficialato ao suprassumo com o governo.
A intervenção militar favoreceu-se outrossim, dentre outras razões, com o estopim de quantidade anormal de greves sucedendo na sociedade em apenas dois anos, realidade caótica parecida com a da Alemanha antes da assunção de Hitler a Chanceler em 30 de janeiro de 1933. Aconteceram além disso as insatisfações de centenas de militares de baixa patente redundando em revolta de sargentos e de marinheiros que mais desgaste com o oficialato provocou, supostamente pela quebra de hierarquia. Mas a caserna tanto em 61 como em 64 não fora modelo de unidade militar, pois durante todo esse período havia, mais ou menos, legalistas e rebelados, por exemplo no Rio Grande do Sul o então governador Leonel Brizola defendeu abertamente a renovação da Campanha da Legalidade de 1961 ora em março/abril de 64. Contudo além das forças armadas e de setores da sociedade grande parte do Parlamento boicotara os esforços do governo desde sua posse ocasionando corrosiva oposição a projetos e reformas nos embates entre direita e esquerda por que perdeu a base política necessária para governar em um Estado Democrático de Direito o qual Parlamento declarou por fim sua vacância em 2 de abril de 1964, destituindo-o dessarte do cargo de presidente, conquanto estivesse Jango à época em São Borja, todavia abandonou a guerra no meio da batalha, como Marco Antonio contra Caio Otávio (Augusto) em 31 a.Cr. agiu na batalha de Áccio, pondo à guerra civil romana término o filho adotivo de Júlio César.
Superamos uma tentativa de golpe no final de 2022 por causa da insatisfação com a derrota eleitoral instigada pelo outrora presidente com o qual boa parcela da população se mancomunara, redundando em atos de vandalismos, depredações e invasões, em 8 de janeiro de 2023, de prédios do patrimônio público sito na Praça dos Três Poderes. A política é dinâmica, e a democracia é já por isso responsabilidade de todas as gerações de brasileiros, bom exemplo se mostra ora em livro "Eu Disse Não! - Uma Trincheira Antigolpista" a publicar do tenente-brigadeiro do ar, comandante da aeronáutica à época, sobre aquele breve, nada obstante instável e perigoso período à democracia, comprovando assim que o sentimento democrático nem estirpe nem farta, nem passado nem futuro tem, senão é um eterno presente de brasileiras e brasileiros. Outra prova de que a democracia se mantém é sim pela vontade política participativa do seu povo ao qual a educação é sempre o pavilhão dirigente por que nos mantemos inelutáveis na tradição democrática de eleição para eleição.
Sabe-se que o risco da recaída democrática em aventuras políticas demagógicas é mais suscetível vigorando o sistema presidencialista. A história nos ensina que nele a atenção deve ser determinada, redobrada e iluminada pela luz da razão, porquanto de presidente a ditador nos alerta ela que basta um punhado de correligionários com a mesma intenção política para insuflar uma massa que acredita na figura pessoal do redentor. Cria-se na psique popular tal ideia que na esfera política tende certo a se fixar insanamente e promover a miopia da inteligência: A menoridade política do povo é o desejo dos ditadores a fim de conservar a duração da paternidade pelo nepotismo em gerações (de 1970 a 2024 o patriarca Hafiz al-Assad e a descendência da sua família na Síria torturaram e assassinaram milhares de 'subversivos', como ditadores justificar morticínios em geral querem). Precisamos por isso estar conscientes a fim de não incorrermos por falsos salvadores da pátria na perigosa recaída da cadeia histórica de ditadura, redemocratização, ditadura ...
E ora, em plena campanha política às eleições de outubro próximo, a notícia na imprensa que estivera de relâmpago filiado ao Missão o candidato do PL, o que, segundo aquele partido, ocorrera por uma "tentativa de filiação fraudulenta" deste candidato, já o TSE diz ser a responsabilidade de "alguém que possuía as credenciais da legenda" para efetivá-la registrando o endereço do parlamentar como "Rua dos Bandidos, bairro dos Milicianos". O fato dá ao caso esdrúxulo ares de advertência, afinal o que ainda pode descambar? O voto consciente ao contrário evita o aparecimento dos Cavaleiros da Escuridão, ... 1922, 1924, 1933, 1958, 1970, ..., escolhendo com clarividência o caminho da eleição ao Piratini da destemida mulher por descendência com o propósito inabalável de continuarmos a transformar as realidades brasileiras.