Liberalismo / Socialismo e
a Orientação do Governo Eleito

Finalizada a eleição de 2026,
é hora de seguir avante com
a transformação das realidades brasileiras

Em 26 de outubro de 2026

A discussão sobre a diferença entre um governo liberal e um socialista aflora via de regra em tempos de eleição. Isso também por que a teoria quer-se nesse caso estreitamente vinculada à prática, mas essa pode ou promover ou prejudicar às pessoas com as necessidades. Como se deduz do entendimento, a relatividade é condição verdadeira, pois pode produzir prosperidade a cada lado da moeda do par acima, ao mesmo tempo onerar a partir do ponto de vista das relações. Essa situação porém, examinando pontualmente, acarreta resultados antagônicos. Nota-se que se ressente no liberalismo por conceito da carência da justiça social, quer dizer as relações acontecem a partir de certo status quo afim à ordem social, econômica e política estabelecida, ao passo que no socialismo, da diminuição da liberalidade econômica em prol da equidade da distribuição justa de oportunidades. Neste, se ressente da maior liberdade possível de atuação no mercado, naquele se carece do maior regramento da ordem pública. Daí se pode concluir que no liberalismo se quer atuar no mercado com menos amarras e, consequente, com o maior possível individualismo das liberdades, já no socialismo se quer assegurar a universalização do ordenamento das relações na sociedade com a maior possível equidade de chances. Cotejemos este entendimento com definições comuns e gerais sobre ambos os conceitos na história da ideias.
O liberalismo econômico segundo o entendimento clássico inicial pregava a desregulamentação do mercado e a não intervenção em sua ordem por parte do Estado. Acentua-se a capacidade do mercado de se autorregular em suas relações cujo controle político prejudicava o andamento natural da liberdade de ação econômica. Constata-se que este 'deixar-fazer' („laissez-faire“) no âmbito do mercado visa o poder da liberdade econômica indiferente à situação inicial de partida das relações econômicas entre os indivíduos no interior da sociedade, valorizando pois a concorrência livre fomentada pelo desejo individual de crescimento acumulativo resultante da autonomia irrestrita. A concepção do liberalismo modificou-se com novas posições no curso da história das ideias, e se aproximou desse modo do próprio entendimento do socialismo no chamado liberalismo social da esquerda. Pode-se partir do princípio de que ao liberalismo ‘clássico’ está imanente a irrestrita liberdade de conservação e crescimento do capital para além do status quo inicial da sua riqueza cujo objetivo é sua prosperidade impositiva na relação de forças existentes do jogo econômico-social do ‘ganhar e perder natural’ do mercado, com efeito o enriquecimento a custa do empobrecimento dos desfavorecidos conforme as relações de capital presentes.

Novas ideias intentam equilibrar a conservação da independência da liberdade de ação econômica em harmonia com a promoção da prosperidade universal pelo desenvolvimento social compensado pertinente à distribuição igualitária de oportunidades econômicas e às responsa-bilidades sociais segundo o patrimônio do capital acumulado. Nasceu assim o ‘liberalismo igualitário’ de John Rawls que centraliza a igualdade de chances de participação na vida política com a eliminação de desigualdades econômicas e sociais, concebendo-se à luz do reconhecimento e da revalorização de direitos fundamentais no contexto econômico, por outras palavras não se separam coisas que estão intrinsecamente conectadas de tal modo que se examina a economia de mercado correlacionada com a devida atenção a direitos sociais e liberdades civis fundamentais. Este entendimento indica que as relações no âmbito social se harmonizariam ou tenderiam em benefício da maioria constituinte de sociedade e Estado. E o Brasil com a reeleição do atual presidente como deve andar com as relações?
As eleições de 2026 chegaram ontem com o segundo turno e a definição dos últimos ocupantes de cargos executivos ao final. Por que esperar? O modelo de governo adotado pelo então presidente deve continuar, e nesse o socialismo assume a preponderância. Todavia a visão em se tratando de governança política é dirigida fundamentalmente pelo pragmatismo, pois envolve as relações políticas no contexto de partidos e ideologias. Segundo o resultado a oposição obteve uma vitória expressiva aumentando a composição no Congresso Nacional, ou melhor só o PL com 121 deputados e 28 senadores. E sobre isso se questiona a capacidade política do governo para dar continuidade a implementação das transformações sociais de que o país inda sempre carece. Conquanto já tenha sido assunto colocado mais de uma vez na cena pública e um pequeno progresso com a alteração da isenção de imposto de renda a uma faixa maior da população, outro não menos, senão maior ainda não se converteu in concreto,. Ele concerne à determinação do imposto em relação direta com a fortuna acumulada dos abastados, aqui o capital advindo da locação de imóvel.

Repara-se o direito à propriedade privada assentado na Constituição Federal, Art. 5º, XXII, contudo o dever do cumprimento da lei específica do inquilinato é de fato minimizado. E o modo e maneira indica uma relação direta com a acumulação de capital oriunda do descumprimento legal em detrimento de locatários. A realidade da moradia por aluguel no país está a revelar que proprietários estão acumulando pela exploração da necessidade de tal modo que descumprem com a legislação (Lei 8.245, Art. 22) e se mostra de forma premeditada, economizando calculadamente com reparações do imóvel para “servir ao uso a que se destina”. E o problema da escassez da moradia está ademais agravando a necessitados de locação hoje em dia até em sociedades ricas do primeiro mundo, como revela a imprensa mundial em várias reportagens, por exemplo novas manifestações no princípio de outubro ido sobre a crise habitacional na Espanha.1
Equidade da distribuição de oportunidades de crescimento justo a todos, segundo o socialismo, não se realizará de fato, enquanto direitos fundamentais garantidos (‘direito à moradia’, CF. Art. 6º) continuarem contudo disposições normativas, na prática mera moeda de barganha, de que se beneficiam por outro abastados poderosos com o direito a contratos confeccionados e cláusulas entabuladas segundo seus interesses econômicos. E essa desigualdade substancial de condição econômica implica a materialidade da injustiça social. É uma realidade brasileira que exige do presidente reeleito a imprescindível atenção que é mais premente do que transporte coletivo gratuito aos fins de semana. Para que se não entenda o pacote de bondades como sinônimo de politicagem, deve-se consequente com o socialismo transformar também esta realidade brasileira, de sorte que os necessitados não se tornem marginalizados devido às relações verticais reinantes. No Brasil é uma realidade distante dos holofotes da imprensa e da agenda de políticos, em parte também pela mentalidade conformista brasileira, ainda sempre favorecendo a sujeição do liberalismo egocêntrico de mercado pelas encomiadas liberdades individuais.

1 Leia também a postagem:
A Habitação em Visão Sistêmica

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